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terça-feira, 29 de novembro de 2016

O verde da esperança que conquistou o céu do mundo

Uma noite anormal já premeditava a maior tragédia aérea envolvendo um time de futebol do mundo. Ao sair da faculdade em Gurupi, entrar no ônibus em direção a Alvorada, a noite já reservava muitas surpresas. O ônibus, batizado pelos estudantes de "verdinho", estragou entre a Capital da Amizade e Cariri. Daí em diante tudo pareceu ter relação com o que viria a acontecer: uma luta para chegar ao destino final (Alvorada), que viera acontecer somente as 3h30 da madrugada.

Ao descer do veículo, cansado, motivado pela vontade de chegar logo em casa, links no Facebook já noticiavam uma tragédia com outro verde, o maior verde do Brasil, o "Verdão do Sul". O time encantador da Chapecoense, que disputaria a final da Copa Sul-Americana, deixou um grande suspense nos amantes do esporte e em todo cidadão de bem, até o dia amanhecer, e chegar as primeiras notícias da real situação do acidente. Cheguei em casa, apreensivo, fiquei acordado até por volta das 4h30 esperando mais notícias.

Acontece que nessa terça-feira o futebol perdeu a graça, o brilho não é mais o mesmo. Sentimento de tristeza toma conta de uma nação. Quem não trocaria qualquer título pelas 71 vidas perdidas de volta? Meu Palmeiras foi campeão brasileiro em um ano para se esquecer e, como torcedor, trocaria o título brasileiro por essas vidas e esperaria mais 22 anos por uma conquista, tranquilamente, escutando a zoação de qualquer amigo. O título perdeu a graça, o futebol perdeu a cor. 

Encarar a realidade acadêmica hoje vai ser dolorido. Olhar futuros jornalistas reunidos em um ambiente de estudo enquanto as redações choram a despedida de tantos comunicadores que se foram nessa tragédia não será nada fácil. Entre tantos jogadores, haviam mais de 20 jornalistas que estavam cobrindo o momento histórico do time de Chapecó, mas que entraram pra história de um dia em que o verde da esperança tomou de conta de todo o Brasil. Há esperança na humanidade!

Nesse momento de dor, peço apenas a proteção divina para confortar cada família que perdeu seus entes queridos nessa tragédia. De tanto subir, a Chapecoense chegou até o céu para disputar uma partida de futebol no time de Jesus Cristo. Num gesto sublime, diversos clubes brasileiros e mundiais se solidarizaram através de textos e ações concretas, formando uma corrente de ajuda ao time que encantou o Brasil.

Conforto aos corações machucados...

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Árvore milagrosa e susto com bomba d'água

Crônica sobre as "acontecências" de Gurupi em homenagem ao aniversário de emancipação política do município.

Por Zacarias Martins


Foto: Zacarias Martins

Meu primeiro contato com Gurupi foi em 1979, quando saí de Belém (PA), minha terra natal, rumo a Brasília, na busca de oportunidades. O ônibus em que eu viajava fez uma parada num ponto de apoio, às margens da BR-153, no perímetro urbano da cidade. Perguntei ao atendente de uma lanchonete na beira da estrada que lugar era esse e ele me informou que estávamos em Gurupi.

Em Brasília, conheci o gurupiense Gilson Ribeiro Carvalho, oficial médico da Aeronáutica, e nos tornamos amigos. Ele foi quem me apresentou e me convidou para morar aqui, quando voltou. Fixei residência definitiva na Capital da Amizade em novembro de 1983. Na administração pública municipal fui fiscal de posturas, Diretor de Cultura e, ao me envolver com atividades culturais, comecei a escrever crônicas da cidade, que mais tarde foram reunidas no livro Histórias da História de Gurupi, e que foi adotado por duas vezes para o vestibular da Unirg.


Dentre as histórias que registrei está o caso de uma certa “árvore milagrosa”, que surgiu de repente no canteiro central da Avenida Mato Grosso com a Rua 2, Centro da cidade. Através de um buraco na árvore, começou a jorrar água. Lembro-me que as pessoas enchiam garrafas pet com aquela água e depois colocava no padrão de luz, na tentativa de diminuir a conta de energia. Outras pessoas rezavam e cantavam hinos religiosos em volta da árvore. Até que operários da companhia de saneamento chegaram no local, e enfrentando protestos, cavaram um buraco no asfalto e consertaram a adutora que havia se rompido. Foi dessa forma que a tal árvore parou de jorrar água.


Outro caso que também marcou a vida dos gurupiense aconteceu em meados de 2004, por conta de uma suposta bomba que haviam esquecido dentro de uma caixa de papelão na agência da Caixa Econômica Federal. Houve uma grande mobilização dos órgãos de segurança na cidade. Equipes especializadas da elite da Polícia Militar (PM) do Estado montaram uma operação antibomba para desarmamento do suposto artefato. Depois, descobriram que, na verdade, a bomba era uma bomba, mas d’água, de sucção, dessas usadas em cisternas e poços.


Linha do Tempo


1929 - Processo de povoamento, a partir de 1929, por desbravadores garimpeiros atraídos pela oferta de ouro e cristal na região.


1950 - Benjamim Rodrigues, fundador de Gurupi, em visita ao lugar planeja criar uma Colônia Agrícola.


1952 - Benjamim Rodrigues se instala no povoado e funda o comércio.


1954 - Celebrada primeira missa, construção da Igreja Santo Antônio.


1955 - Escolha do padroeiro Santo Antônio e iniciado o movimento pró-distrito.

Vejo Gurupi assim; como uma cidade acolhedora, mas também, de muitas histórias para se contar. Se depender de mim, enquanto eu tiver disposição e saúde, continuarei registrando, com o olhar crítico, as ‘acontecências’ da Capital da Amizade no Tocantins.

1957 - Em 5 de novembro daquele ano, o trecho da rodovia federal na região é inaugurado com uma festa rural.


1960 - primeira eleição para eleger prefeitos e vereadores de Gurupi e criação da Câmara Municipal.


1958 - Morre o primeiro subprefeito João Borges Leitão. Emancipação política em 14 de novembro.


1959 - Doca Barros foi nomeado prefeito e, em janeiro, o município foi instalado pelo juiz Feliciano Machado Braga.


Zacarias Martins é escritor e jornalista, titular da Academia Tocantinense de Letras.

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

O dilema da saída de casa

Por Railson D'Blek
Acadêmico de Jornalismo

Imagem ilustrativa retirada da internet.
Pedrinho era um cara comportado. Certo dia resolveu mudar do Pará para o Tocantins com o intuito de estudar em uma faculdade o curso sonhado desde a infância. No primeiro semestre tudo ocorreu tranquilamente: Pedrinho sempre na sua, não saia para lugar algum, só observava aquele mundo diferente, cercado de uma cultura distinta do seu velho Pará. Longe dos parceiros das antigas, dos dias de maldade, ele tenta o máximo se habituar nesse novo ambiente e não consegue. Os “maninhos” de lá mandam snaps, mensagens, vídeos, áudios e etc, mostrando tudo que ele deixou para trás... Bate em Pedrinho aquela vontade de voltar.

Chega no meio do ano, tempo de férias, ele resolve ir passear no Mato Grosso, descansar a mente na beira da praia, curtir a bela natureza, recarregar a bateria do corpo.  Um dia qualquer no acampamento, deitado na “redinha”, ele pensa na sua volta ao Tocantins, imaginando como seria o segundo semestre e é aí que ele retruca: “aaaahh quer saber, chegar naquele lugar irei mudar, serei aquele D’ Blek animado e entrarei na onda da rapaziada, pois ainda ficarei ali por mais quatro anos”.

Dias atrás Joãozinho, amigo de faculdade de Pedrinho, convida-o para ir em sua cidade passar o final de semana. Estava acontecendo ali uma semana agropecuária. Na primeira noite Pedrinho começa a beber de leve, vai entrando no ritmo da festa e incentiva Joãozinho a beber também, pois ele estava muito parado. Termina o show e Pedrinho já está bem tomado e quer continuar a chapar mais ainda. Eles vão para a boate e lá Pedrinho se descontrola de vez e entrega-se à cachaça, começa a fazer besteiras.  Ele vê uma mina dançando sozinha e “tals”, aquela resenha toda, de repente decide chegar nela, só que mal deu tempo de perguntar se a garota era solteira, o irmão dela foi em sua direção e disse “se você mexer com minha irmã eu vou te encher de porrada”. Logo veio Joãozinho, que conhecia o irmão da menina, e falou para não dar moral pois Pedrinho já estava muito bêbado e não sabia de nada, não conhecia ninguém. Depois disso tudo Pedrinho ficou revoltado, bebeu mais e mais ao ponto de passar mal.

A chance de dar uma “treta” naquela noite era muito grande, pois Pedrinho estava numa cidade inédita e ali só conhecia Joãozinho, para isso não acontecer ele resolveu ir embora do local da festa. O que restou, no dia seguinte, foi uma grande ressaca. Então vai uma dica: se beber, não se mova!!!